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Quem já viajou em um cruzeiro sabe: você esfrega ombros com pessoas em bares, compartilha o buffet, se junta a multidões para atividades e shows, compartilha equipamentos de ginástica e fichas de pôquer. Cruzeiro é a antítese do distanciamento social, porque tem tudo a ver com estar em contato. Por isso, a maioria das grandes operadoras de cruzeiros do mundo suspenderam completamente as suas atividades durante a pandemia do coronavírus, pelo menos até o dia 31 de outubro desse ano.

Ainda sem uma vacina que garanta a volta das aglomerações com segurança, grande dessas empresas estão lutando com as armas que têm para voltar a operar, apostando principalmente no uso de tecnologia de ponta para conseguir retomar a indústria de forma segura, passando confiança para os seus clientes e em conformidade com as diretrizes das organizações internacionais de saúde.

Essas soluções vão desde purificadores de ambientes, dispositivos inteligentes e de vestimenta para controle de multidões a elevadores que trabalham com comandos de voz e até membros robôs na tripulação, entre as inovações.

A Norwegian, por exemplo, anunciou a instalação de filtros de ar de grau médico (H13 HEPA) em toda a sua frota. O equipamento é capaz de remover 99,95% dos patógenos aéreos, segundo a empresa. Outras companhias, além de reforçar a limpeza, também têm adotado soluções tecnológicas capazes de diminuir o contato entre os tripulantes.

“O cruzeiro sempre foi um negócio de ‘contato intenso’ em quase todos os aspectos”, diz Chekitan Dev, professor de marketing da Escola de Administração de Hotéis da Cornell University. “Ir para um modelo de ‘menor contato’ terá que fazer com que as empresas de cruzeiros repensem quase tudo o que fazem”, acrescentou, em entrevista à Bloomberg.
Para isso, elas estão contratando profissionais para “repensarem” o pós-pandemia para a indústria, em especial designers industriais.

“Agora é o momento em que podemos ser criativos e loucos”, diz Georg Piantino, arquiteto sênior da YSA Design da Noruega, empresa líder em design de navios de cruzeiro com clientes que incluem Disney, Holland America Line, Norwegian Cruise Line e MSC Cruises.

App que abre portas Alguns dos mais recentes navios de cruzeiro já possuem sistemas sem toque integrados. A Princess Cruises, por exemplo, oferece aos hóspedes um dispositivo que abre as portas da cabine e paga pelas bebidas, e o aplicativo Celebrity Cruises permite que os usuários abram portas remotamente.

Essa tendência só vai acelerar: os botões do elevador, por exemplo, serão substituídos por sensores ativados por movimento ou por voz.

A tecnologia inteligente, integrada a dispositivos portáteis ou aplicativos móveis, também pode ser a chave para o distanciamento social. Especialmente em navios de grande porte e com milhares de passageiros, Piantino imagina esses dispositivos como campainhas que alertam os clientes quando é a vez de usar o deck da piscina ou a academia. (O mesmo vale para o controle de multidões no embarque ou desembarque.)

Os sistemas que podem rastrear localização também podem informar aos passageiros quais locais de embarque estão com capacidade máxima e quais estão livres de multidões.

“Você não pode colocá-los em pé [ao redor do deck da piscina]”, explica ele.

Sua solução: direcionar os passageiros para atividades em áreas com número menor de pessoas. Isso pode significar passeios de arte pelos corredores ou palestras diurnas na discoteca. Por extensão, cabines com varandas – sem a necessidade de esperar pelo banho de sol – certamente ficarão mais valorizadas.

À prova de germes e pronto para quarentena.

A reformulação de navios de cruzeiro para um mundo pós-pandemia inclui alguns exemplos em que as cabines podem encolher para acomodar um vestíbulo na entrada para atuar como uma área de espera para refeições e medicamentos no caso de um hóspede ficar em quarentena. Layouts internos flexíveis com móveis fáceis de reorganizar se tornará fundamental para os designers, diz Anne Mari Gullikstad, diretora executiva da YSA Design.

Dentro das cabines, painéis escondidos atrás das paredes podem servir para conectar equipamentos médicos, permitindo que qualquer cabine seja convertida em um quarto de hospital, caso ocorra um surto viral. Os tecidos antimicrobianos podem repelir os germes de superfícies que incluem camas, cortinas, sofás e cadeiras.

Os fornecedores também estão lançando linhas de cruzeiro com câmeras de resolução térmica montadas em paredes e tecnologia de pulverização eletrostática, que a Norwegian disse que usará para higienizar e desinfetar cabines e áreas públicas.

Pequenas mudanças na operação também podem fazer uma grande diferença. O professor Dev, da Cornell, que faz consultoria a empresas, hotéis, cruzeiros e restaurantes, diz que os buffets devem mudar para os convidados apontando o que querem enquanto funcionários enchem seus pratos por trás de barreiras de acrílico.

Nos restaurantes, os menus podem ser carregados em aplicativos móveis ou projetados diretamente sobre a mesa. Em salas de exposições e teatros, Piantino prevê divisórias para separar grupos menores.

Dev acrescenta que parte da limpeza, tanto em cabines quanto em áreas públicas, pode ser relegada a aspiradores de pó robóticos e máquinas de desinfecção, reduzindo ainda mais o contato humano.

Quem vai pagar a conta?

Os primeiros convidados de volta ao mar, sem dúvida, servirão como cobaias para as mudanças generalizadas que provavelmente ocorrerão, diz Dev.

Os passageiros que retornarem mais cedo também arcarão com a maioria desses custos, diz Art Sbarsky, ex-executivo de linha de cruzeiros que trabalhou para a Norwegian Cruise Line, Celebrity Cruises e Crystal Cruises.

“Eles precisarão compensar [toda a nova tecnologia]”, disse.

Enquanto Sbarsky concorda que mudanças maciças chegarão a todos os aspectos da experiência de cruzeiro, ele diz que é impossível fazer um navio de cruzeiro completamente sem contato. Há um aspecto emocional a ser considerado: ninguém quer passar férias em um hospital flutuante.

“As pessoas fazem cruzeiros sabendo que vão socializar com outras pessoas”, acrescenta Sbarsky.

Fonte: Tilt/Bloomberg